• Ramy Arany

Amor pronto x Amor construído


Todos nós nascemos para amar e sermos amados. Todos nós precisamos do amor para viver. Todos nós sofremos por amor e todos nós estamos longe de sabermos o que é verdadeiramente o amor!


Nestes tempos de desafios causados pela pandemia e afastamento social, todos nós estamos mais sensíveis e pensando muito mais sobre a importância do amor na nossa vida. Este artigo foi escrito para uma reflexão sobre alguns pontos importantes que revela uma nova visão sobre o amor e como o amor está mais acessível a nós quando sabemos como construí-lo!



O amor em sua origem mais sutil é uma essência que permeia tudo no todo que é a vida, dentro e fora de nós, no macro e no micro universo. Assim, podemos reconhecer o amor na natureza, em tudo que a natureza manifesta, em nós mesmos, nas pessoas, nos animais, nas relações interpessoais e na existência como um todo. A palavra “amor” foi criada para designar o sentimento mais puro e elevado que nós seres humanos conseguimos sentir e manifestar, em relação a nós mesmos, ao outro e à vida em sua plenitude. Ainda há a crença de que o amor mais puro é o amor de mãe, trazendo com isto uma origem de referência para esta pureza.


Entendo que somos capazes de perceber o amor nas suas várias dimensões e formas de manifestações e com isto desenvolvermos a capacidade de amarmos assim desta forma. Isto significa que necessitamos compreender que o amor essencial se manifesta através de várias formas, como a argila nas mãos do artesão, que através de sua ideação vai trazendo uma forma para a argila até chegar à expressão mais harmônica de sua arte. Porém, sendo o amor uma essência, assim como a argila, é necessário que sua forma seja construída através de nossa manifestação, pois o amor não é pronto e perfeito, pois como essência, o amor é harmonia sendo necessário o trabalho interno para poder se manifestar através de nós.

O amor é em nós e não deve ser procurado fora, no externo, e sim reconhecido primeiramente em nosso interno, em nós mesmas.

O amor, contudo, acaba se tornando um dos grandes conflitos existenciais que termina muitas vezes na terapêutica da autoajuda: “você precisa se amar primeiro, pois se não se amar, como você irá amar o outro e também ser amada?” Entretanto, entender isto é bem complicado, visto que acreditamos que “quem tem amor tem e quem não tem não tem!” e que “o amor é algo condicional, que depende do amor do outro e de situações.”


Para transformar esta imaturidade de nossa visão sobre o amor, necessitamos compreender que o amor é em nós e que, portanto, não deve ser procurado fora, no externo, e sim reconhecido primeiramente em nosso interno, em nós mesmas. A partir deste reconhecimento passamos a sentir o amor de forma bem próxima, bem íntima e mais verdadeira, e assim nos sentimos mais seguras para manifestá-lo, sem medo de ser feliz.


A construção do amor demanda em primeiro lugar o desapego da ideia do amor pronto e perfeito, que nos leva à fascinação e nos conduz a idealizar “modelos” maravilhosos de amor, nos afastando do amor verdadeiro que é aquele que vai sendo construído passo a passo, aprendendo, com isto, a compreender as dificuldades em relação ao amor como partes da construção para, assim, poder transformá-las e vivenciar o amor de forma mais madura.

É necessário que se compreenda que o amor é evolutivo, se transforma, pois vai acompanhando nosso amadurecimento.

A fascinação pelos “modelos de amor ideal” nos remete a buscar o amor que imaginamos e que queremos para nós e para os outros. Estes modelos, provenientes da fascinação pelo amor ideal, acabam interferindo na verdadeira percepção e entendimento sobre o amor. Esta é uma questão muito séria, pois é a origem dos muitos problemas e decepções que temos em relação ao amor.

Outro ponto muito importante se refere à questão de pensarmos que o amor vivido em um determinado tempo tem que permanecer igual através dos anos. O que mais eu ouço nas terapias e nos encontros com mulheres são as queixas, mágoas e cobranças no sentido de que não sentem ou recebem o amor como era antigamente. Isto acontece independente do foco da relação, ou seja, entre casais, laços de mães e filhos, entre amigos, dentre outros.


Há uma tendência em se acreditar que o amor deve permanecer igual por todo o tempo de uma relação. É necessário que se compreenda que o amor é evolutivo, se transforma, pois vai acompanhando nosso amadurecimento. Porém, se sustentamos a crença de sua imutabilidade, viveremos presos a um modelo de amor que um dia vivemos, que pertenceu a um ciclo de nossas vidas e nos cobrando e cobrando o outro por sua desigualdade através dos tempos, deixando de vivenciarmos o amor como ele se apresenta verdadeiramente.


O amor, como tudo em nós, é construído em todos os sentidos, desde o amor conosco mesmo até o amor para com o outro e para com tudo. Novamente, penso na argila nas mãos do artesão e na necessidade de se trazer a forma a partir da essência, que significa de dentro para fora. Se você quer amor, construa o passo a passo deste amor e isto começa primeiramente, em seu universo interno. Assim, com certeza você estará mais próxima de amar e ser amada como você sempre desejou e como, certamente, merece, pois é seu direito natural!



Passos para a construção do amor:

  • Descubra quais são seus modelos de amor ideal e porque você foi se prendendo a eles;

  • Desconstrua estes modelos idealizados de amor, desenvolvendo uma visão mais madura sobre si mesmo, sobre o outro e sobre o amor;

  • Comece a pensar que tudo o que você quer em relação ao amor necessita ser construído;

  • Aceite do outro como realmente “é”;

  • O amor é uma essência que é com você, preenche todo seu ser;

  • Seja verdadeira consigo mesma e busque manifestar o amor através de todas suas ações;

  • Observe no dia a dia os sinais que a vida lhe traz em forma de amor;

  • Ame-se como você é! Para isto, pratique a auto aceitação e o reconhecimento de si mesma;

  • Reconhecer a si mesma é valorizar os passos dados na vida, as experiências já vividas, o caminho de sua existência, se acolhendo com amor.

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