• Ramy Arany

DEPRESSÃO PÓS PARTO: UMA REALIDADE POUCO CONHECIDA

Atualizado: Mai 10

Pesquisas indicam que vinte e cinco por cento das mulheres passam por depressão pós parto, sendo, que, quinze por cento sofre seus distúrbios logo após darem à luz. Porém, pouco se comenta ou se informa sobre esta realidade que atinge muito mais do que somente este índice, parecendo que a depressão pós parto ainda é um conteúdo difícil de ser assumido por questões distorcidas de crenças e de valores em relação a este momento tão significativo para uma mulher.


Penso que a depressão, seja pós parto ou não, ainda é algo que (para maioria que por ela passa ou que, ainda por ela sofre) se encontra envolta em preconceitos, como se a pessoa que sofre de depressão fosse fraca, inferior, complicada ou “louca”. Em razão da ignorância sobre a doença e suas causas, a maioria sofre os distúrbios da depressão muitas vezes de forma calada, escondida, se sentindo incompreendida, isolada, enfraquecida, o que aumenta ainda mais o medo perante “si mesmo”, perante a vida e o dia a dia.


A maior causa apontada para a depressão após parto é hormonal. Durante a gravidez, a mulher sofre uma grande transformação hormonal para que a gestação possa ocorrer e ser sustentada. Há um grande aumento dos hormônios da gravidez que, após o parto, devem retornar ao índice de normalidade, ainda permanecendo o hormônio da lactação. Desta forma, a mulher fica muito sensível a esta mudança hormonal que nem sempre retorna satisfatoriamente ao normal após o parto, causando por exemplo a depressão.


Muitas vezes, a mulher passa pelo período pós parto sem perceber o retorno dos hormônios e atribui suas dificuldades emocionais à chegada do bebê e a mudança de rotina. Com certeza isto também contribui muito para uma instabilidade emocional e cansaço físico, pois após o parto a mulher se vê no papel de mãe e responsável pelo bem estar de seu filho. É certo que noites mal dormidas, a preocupação de atender as necessidades do bebê, as dificuldades normais na relação com o bebê, o medo de não estar fazendo as coisas certas, de não dar conta de fazer “tudo”, de não ter leite suficiente para amamentar, de não conseguir fazer uma rotina com o bebê, geram a sensação de estar perdendo o controle sobre si mesma, sobre o bebê e sobre sua vida.


A mulher, agora mãe, sofre com a angústia de pensar que sua vida nunca mais irá entrar num equilíbrio normal que lhe permita se sentir segura, confortável e com uma rotina natural.

Todas estas situações podem neste período do pós parto gerar depressão. Contudo, isto dependerá também da questão hormonal. Se de fato houver um desequilíbrio hormonal, somado às questões físicas de cansaço e conflitos emocionais a depressão gerará sintomas mais agudos, sendo necessário um tratamento médico e terapêutico, além do apoio familiar e do grupo social. Quando as questões são mais emocionais, estas podem ser transformadas através de apoio familiar, do grupo social e também através de acompanhamento terapêutico.


Em ambos os casos é muito importante que a mulher não se isole neste período e sinta verdadeiramente o apoio daqueles que ela confia, estima e espera ajuda e compreensão. Também é fundamental que busque ajuda terapêutica para que ela compreenda melhor o que esta se passando com ela, e com isto se fortaleça desconstruindo conflitos mentais e emocionais que estejam lhe causando auto-culpa e auto-imagem negativa.


É muito importante que a mulher neste período seja de fato compreendida e apoiada e que também compreenda que este estado mais delicado irá passar, desde que ela tenha paciência consigo mesma e de o tempo para tudo retornar ao normal.


Sem dúvida alguma, o instinto maternal sempre fala mais alto, pois é muito forte e natural. Por isto, penso que esta força impulsiona a mãe para exercer seu papel e, através das memórias instintivas de amor pelo filho, de ser mãe, de proteger o filho e sustentar sua nutrição ela consegue reagir e fazer sua parte, promover a auto-cura dentro do quadro da depressão, além de todas as terapêuticas que agem em conjunto.


Até mais!

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