• Ramy Arany

O jardim interno

Atualizado: Set 15

Revisado: 26/08/2020

O jardim interno: você sabe como ele se encontra?




Era uma vez um jardineiro que cuidava de um jardim, cuja extensão de terra era muito grande e fértil. Todos os dias, ao amanhecer, esse jardineiro já se encontrava acordado e iniciava seu trabalho de cuidar da terra para plantar as mais bonitas flores e as mais bonitas plantas. Observava, cuidadosamente, o local mais adequado para plantar as várias espécies de flores e plantas, na sabedoria de que elas necessitariam de maior quantidade de luminosidade, de calor do sol, de vento, de sombra e de água, pois ele conhecia muito bem este jardim e o que se encontrava plantando nele.


Seu ideal como jardineiro era tornar este jardim um local agradável, bonito por sua harmonia e que pudesse fazer muito bem tanto para as pessoas que conviviam com ele quanto para o próprio jardim, no reconhecimento de que as plantas, as flores e a terra também necessitam de harmonia. Assim, ele sabia que não poderia plantar qualquer espécie de flores e plantas e também não poderia fazê-lo de qualquer jeito.


Passava o dia trabalhando, observando, escolhendo e decidindo sobre tudo nesse jardim, nos mínimos detalhes e sempre preocupado em fazer tudo certo, tudo de forma perfeita, para que, assim, fosse reconhecido pelas pessoas como um excelente jardineiro, aquele que se preocupa em fazer as coisas certas de maneira correta.


Ao terminar o dia se encontrava cansado, porém com certa satisfação por ter conseguido mais uma vez cuidar de seu jardim e torná-lo cada dia mais bonito para que todos pudessem admirá-lo e assim ser reconhecido. Porém ao se deitar para o descanso merecido, sentia uma forte inquietação, um desconforto que o fazia rever todos os passos do dia, lhe trazendo conflitos, inseguranças e questionamentos sobre todo o trabalho realizado durante o dia no jardim. Estes sentimentos e pensamentos se reuniam em sua mente de forma intensa, gestando uma força contrária muito grande dentro de seu ser fazendo com que ele rejeitasse tudo o que havia construído de mais belo em seu jardim.


Sentindo o comando dessa força que nesse momento o conduzia, se permitia retornar ao jardim e destruir tudo o que havia nele plantado, arrancando com suas próprias mãos cada flor, cada planta, judiando da terra e deixando o local na mais profunda desarmonia e desamparo. Exausto por ter trabalhado o dia inteiro plantando e a noite inteira arrancando tudo o que havia de dia plantado, quando o dia amanhecia, novamente voltava ao jardim e começava a plantar tudo de novo, sempre buscando a perfeição e o reconhecimento do outro pelo seu trabalho.


Assim, esse jardineiro passou sua vida inteira construindo de dia e desconstruindo à noite, retornando a construir de dia e a desconstruir à noite, sucessivamente até o momento em que desistiu de si mesmo, na crença de que ele nada valia e de que a vida não valia a pena ser vivida.


Essa história, que também pode ser considerada uma metáfora, representa a maneira como nós lidamos conosco mesmo e com nossa vida. Assim, o jardineiro é cada um nós e o jardim é o nosso interno, nossa consciência, nossas emoções, nossos sentimentos e a forma como cuidamos de nosso interno, de nós mesmos. Fala-nos, também, sobre nossas crenças e valores e como lidamos com elas nos chamando para a atenção sobre a força que elas exercem sobre nós e o quanto isto, se não observado de forma madura e profunda, acaba por se tornar uma grande força negativa e contrária, capaz de nos conduzir para ações também contrárias a nós mesmos.


Nossa mente é como um grande jardim, ou seja, é um espaço interno que é muito grande e contínuo, onde plantamos nossas ideias, crenças e valores que determinam nossa maneira de pensar e, consequentemente, de agir. A potência de nossa mente é tão fecunda quanto a terra, pois tudo que colocamos na mente é gestado, cresce, e termina nascendo através de nossas ações, que revelam aquilo que a mente oculta. Outra forma de revelação são as doenças que nós gestamos através da mente para nós mesmos, principalmente a depressão, a ansiedade e todas as outras consideradas doenças psicossomáticas.


Porém o que mais necessitamos observar é a “força antagônica” que é existente em cada um de nós. Esta força é altamente destrutiva, egoísta, incansável, autoritária, prepotente, orgulhosa e, acima de tudo, contrária a tudo que nós pensamos em realizar de positivo para nós. Porém ela é parte de nós e é gestada e parida por nós mesmos, e cumpre a função de nos perseguir para nos destruir. Ela também se apresenta em várias dimensões de intensidade e de presença, pois em alguns ela é mais sutil, menos ativa, e para outros é mais potente.


Um dos conteúdos mais comuns que provém desta força é a autossabotagem, onde a própria pessoa cria situações negativas para si mesma, fazendo com que se afaste daquilo que ela mais quer!


Atendi, certa vez, no Instituto KVT, uma senhora que me procurou para a solução de um problema de perseguição oculta a qual nenhum lugar conseguia ajudá-la a resolver. Sua queixa era, também, no sentido que esse “inimigo oculto” sabia de toda sua vida e seus projetos até mesmo aqueles que somente ela sabia. Dizia que este inimigo era muito forte e poderoso e que ele lhe atrapalhava em tudo. Esse caso me trouxe a clareza da presença da força antagônica e de como ela age e, principalmente a necessidade de torná-la visível a nossa compreensão para que possamos saber lidar com ela.


Infelizmente, quando conversei com a tal senhora e fui lhe explicando sobre este inimigo oculto ser ela mesma, ser a força antagônica interna, ela não aceitou dizendo que jamais faria isto com ela mesma e que com certeza era vítima da situação. Penso que o caso dessa senhora mostra bem o jardineiro de nossa história, pois de dia ela plantava seus projetos em seu jardim interno e à noite os arrancava, colocando a culpa em pessoas, energias, espíritos ruins.



Dicas para fortalecer a força interna contra a força antagônica:

  • reconheça a si mesma, sua capacidade, seu valor;

  • seja comprometida com sua evolução, seu bem-estar, sua harmonia;

  • busque o autoconhecimento;

  • desapegue do outro, da opinião do outro, da admiração do outro;

  • desconstrua a crença da perfeição, pois é força antagônica;

  • se aceite como você é buscando melhorar sempre;

  • lembre-se sempre de que a mente “mente”;

  • observe pensamentos ruins e insistentes, emoções e pensamentos viciosos, que são as “ervas daninhas” que invadem nosso jardim interno.



Ramy Arany

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